Logo pelas 8 horas de ontem, uma retroescavadora e uma dezena de funcionários
do Serviços de Urbanismo da autarquia chegaram ao local e iniciaram
a operação, derrubando uma a uma as construções ilegais, previamente
despejadas dos principais bens dos seus "inquilinos", na sua maioria
polícias no activo ou jubilados, e vizinhos daquele bairro, que ao longo
da última década foram construindo barracas à revelia.
O ambiente calmo em que se desenrolou esta operação poderá justificar-se
com uma ambiguidade: se por um lado os "donos" beneficiavam das barracas
, ao mesmo tempo eram prejudicados com a sua existência pois, há medida
que as barracas iam "nascendo", também ali foi crescendo um parque de
estacionamento ilegal.
Dois reboques da PSP levaram para um parque provisório da autarquia
cerca de meia centena de viaturas apreendidas pelo Ministério Público.
"Até 31 de Dezembro vão ficar naquele local. O Governo Civil vai procurar
um espaço definitivo", revelou ao JN o vereador Miguel Ramalho.
No local, ao JN, Miguel Ramalho referiu que esta "era uma medida que
não podia esperar mais tempo", face aos "perigos para a saúde pública
e segurança dos moradores".
A operação de remoção de barracas e carros apenas estará concluída hoje,
seguindo-se uma acção de desbravamento e limpeza da vegetação.
Miguel Ramalho revelou que em Julho, no decurso da primeira reunião
com os moradores do bairro, "foi apresentado um estudo prévio que passará
depois a projecto". Fica então previsto para a zona um arruamento, uma
zona pedonal e um espaço verde, embora aquele vereador afirme que "não
existe prazo para execução da obra, por ser muito onerosa"
Ricardo Martins, presidente da Junta de Freguesia de Salvador, jurista
da PSP e morador no bairro, mostrava-se satisfeito com a acção camarária.
"Era um perigo para a saúde pública", justificando assim o envio de
diversas cartas para a câmara, PSP, Governo Civil e Ministério Público,
"a protestar contra a degradação do espaço", rematou.
Uma das barracas era usada por um grupo de jubilados da PSP, que ali
'matavam' o ócio jogando às cartas ou à volta de um petisco. O JN apurou
que os Serviços Sociais da PSP vão procurar um espaço que sirva de "ponto
de encontro" aos antigos polícias.