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Notícias - Imprensa

Artigo Publicado no Jornal Labor, S. João da Madeira em 30 Outubro 2008

Prédios da polícia em avançado estado de degradação

 

Ausência de resposta dos serviços nos últimos dois anos e subida da renda leva morador a concorrer à habitação social do município.

 

Não eram estes os planos de Luís Santos, aposentado da Polícia de Segurança Pública, mas aos 60 anos vê-se obrigado a procurar outra solução de habitação. O ex-agente planeia candidatar-se à habitação social do município, porque, alega, o bairro onde vive mostra “sinais exteriores de abandono” e “urgente necessidade de obras”. Luís Santos refere-se aos dois prédios na Rua José Augusto Teixeira e na Rua da Mourisca, conhecidos como “prédios da polícia”, propriedade dos Serviços Sociais da Polícia de Segurança Pública (SSPSP).

De acordo com Luís Santos, nos últimos dois anos os moradores têm feito chegar a estes serviços vários pedidos de obras, tendo inclusivamente enviado um abaixo-assinado a demonstrar o seu descontentamento com a situação.

 

O ex-agente conta que a água infiltra-se pelos telhados, tendo, numa ocasião, atingido nas instalações eléctricas. Mas “o mais degradante é o exterior”, afirma, convencido de que aquele é actualmente o “pior bairro de S. João da Madeira”.

 

Ao que o labor conseguiu verificar no local, apenas metade de um prédio foi efectivamente alvo de pintura nos últimos tempos. A área restante mantém-se intacta.

 

Em Julho deste ano, as rendas sofreram uma actualização extraordinária, que, no caso de Luís Santos, se traduziram num aumento de 300 por cento, passando este a a pagar 250 euros/mês.

 

Sem resposta dos serviços e motivado por este aumento, o ex-agente está inclinado a investir as suas poupanças num apartamento do município na Rua Guerra Junqueiro, num bloco que sofreu recentemente uma reabilitação no âmbito do pacote de intervenções previsto para o parque habitacional do município. “Não tem nada que ver com a minha casa”, diz.

 

Câmara disponível para assumir gestão

 

Os bairros da polícia são os únicos prédios de habitação social em S. João da Madeira que não estão sob a alçada do município. O presidente da câmara chamou a atenção para isso mesmo quando da última transferência de habitação da Segurança Social, em 2006. Castro Almeida afirmou que metade daqueles fogos estão devolutos e sugeriu que a solução passa pela descentralização da gestão. Ou seja, há disponibilidade da câmara em receber esses fogos, mas não há registo de contactos efectuados nesse sentido entre as duas instituições. Confirma-se, sim, um contacto da autarquia com os SSPSP para os sensibilizar para a necessidade de obras nos seus prédios.

 

Não foi possível obter um esclarecimento dos SSPSP a tempo do fecho desta edição.

 

Mas na sua página electrónica (em www.sspsp.pt) pode ler-se que “é intenção dos SSPSP continuar a desenvolver” a habitação social, “não alienando” qualquer um dos imóveis habitacionais da sua propriedade, salvo em casos excepcionais. Adverte-se para a intensificação do controlo do uso adequado e legítimo dos imóveis e para a proposta de actualização do regime de rendas “mais consentâneo com a disponibilidade orçamental dos serviços e com o ciclo de vida económico dos utentes”.

 

Lê-se também que é intenção dos serviços afectar parte dos imóveis devolutos para a construção de Casa de Passantes, pensadas para albergar os beneficiários por tempo limitado em virtude de razões de saúde, trabalho ou mero lazer.

 

Por: Anabela S. Carvalho

 

 

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