"A degradação do poder de compra dos polícias agravou-se com este
Governo", afirma ao Diário de Notícias o dirigente da ASPP José Sena
Goulão, Lusa
A Associação Sindical dos Profissionais de Polícia (ASPP) culpa o
Governo pelas dificuldades financeiras que obrigaram a PSP a
reforçar em 1,5 milhões de euros o orçamento dos Serviços Sociais. O
dirigente sindical Paulo Rodrigues atribui os problemas a uma
política de baixos salários e à deslocação de mais de 90 por cento
dos agentes formados na Escola Prática de Polícia para Lisboa.
O orçamento previsto para empréstimos a agentes da PSP a braços com
problemas financeiros, que todos os anos ascende a cerca de 650 mil
euros, esgotou-se em Março, revela a edição de domingo do Diário de
Notícias.
Perante o aumento dos pedidos de ajuda, a Direcção Nacional da
Polícia de Segurança Pública solicitou ao Ministério das Finanças o
recurso ao fundo de pensões dos Serviços Sociais. O Ministério de
Teixeira dos Santos deu luz verde.
Segundo o jornal, em 2009 foram formalizados mais de 100 pedidos de
auxílio financeiro "a médio e longo prazo". Em seis meses, o número
de requerimentos triplicou, quando comparado com os dados de 2007 e
2008. E a situação estende-se a outras forças de segurança: a GNR,
que também aumentou a verba destinada à ajuda financeira, concedeu
em 2008 perto de 7,5 milhões de euros em empréstimos aos seus
operacionais.
Baixos salários e deslocações
A Associação Sindical dos Profissionais de Polícia aponta o dedo ao
Governo. Para o dirigente sindical Paulo Rodrigues, as dificuldades
radicam nos baixos salários e nas deslocações de agentes das suas
terras de origem para os centros urbanos, que acabam por ditar
despesas acrescidas.
"Os profissionais da polícia, quando acabam os seus cursos da Escola
Prática, vão para Lisboa. Podem até, eventualmente, ter uma família
constituída noutra zona do país, mas vão obrigatoriamente para
Lisboa, noventa e tal por cento vão para Lisboa", afirmou Paulo
Rodrigues à RTP.
"Esses têm logo uma dupla dificuldade, não só em pagar o empréstimo
que têm, porque as famílias estão na sua terra, mas também porque
têm de alugar um quarto, têm de ter uma vida praticamente à parte da
sua família", frisou o dirigente da ASPP.
Paulo Rodrigues denuncia também os efeitos gerados pelas alterações
ao subsistema de assistência na doença para os efectivos da PSP,
entre as quais "o facto de os cônjuges terem sido excluídos": "O
Estado reduziu de forma drástica as comparticipações nos
medicamentos, nas consultas, mesmo nas consultas de especialidade".
Polícias "vivem uma dupla crise"
Em declarações ao Diário de Notícias, o director nacional da PSP,
Oliveira Pereira, admitiu as "dificuldades financeiras", salientando
que o reforço de verbas foi concretizado para que os agentes daquela
força "sintam que não estão sozinhos".
Também ouvido pelo jornal, Paulo Rodrigues sublinhou o "bom trabalho
que os Serviços Sociais têm vindo a fazer". Mas deixou críticas ao
Executivo socialista de José Sócrates. A "degradação do poder de
compra" dos agentes, vincou o dirigente da ASPP, "agravou-se com
este Governo", que "retirou inúmeros direitos, como na saúde".
"Os polícias vivem uma dupla crise: a da população em geral e a
resultante das alterações legislativas e dos congelamentos salariais
que duram há dois anos", sustentou o sindicalista ao Diário de
Notícias.