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Notícias - Imprensa

Artigo Publicado no Semanário Expresso em 6 de Setembro de 2008

Hotéis da PSP

Polícias passam férias entre polícias para se sentirem seguros No verão os hotéis da PSP enchem-se de polícias, que optam por levar a família a passar férias junto dos seus colegas de profissão.

 

O lema é não confiar. Por isso mesmo, os polícias optam por passar férias em segurança, preferindo os hotéis da PSP onde, além de ser mais barato, têm como garantia que o vizinho do lado trabalha fardado. É o espírito de corpo que os une", diz o intendente Matos Torres, Secretário-Geral dos Serviços Sociais da PSP. É a segurança da família", acrescentam alguns dos polícias que a Lusa foi encontrar no hotel do Baleal, em Peniche.

 

Na verdade são as duas coisas. Por um lado, têm um sentimento de pertença, identificando-se com os códigos de conduta como se de uma macro família se tratasse. Por outro, é a sensação de segurança transmitida por todos esses factores que os desarma, permitindo o verdadeiro descanso.

Mário Caldeira/Lusa                           A relação qualidade/preço dos hotéis é boa, garantem os polícias

As crianças circulam sem receios, nos apartamentos não se fecham portas e entre uma ida à praia ou um simples passeio pela zona sempre se encontra um amigo pelo caminho. É como se fossemos todos família. Ainda no outro dia uma criança pequenina queria sair do portão e não deixei, explica o senhor Armando, o homem escolhido para gerir o espaço, também polícia, é claro.

 

Armando foi destacado para esta missão. Vive no hotel há cerca de um ano e cuida de tudo. Quatro hotéis e um parque de campismo recebem todos os anos milhares de polícias e seus familiares, uma parte dos 85 mil beneficiários dos Serviços Sociais da PSP que mensalmente descontam 0,5 por cento do seu ordenado para usufruírem deste tipo de apoios.

 

Só em Agosto foram mais de dois mil os polícias e suas famílias que passaram pelas unidades hoteleiras de Monfortinho, Baleal (Peniche), Vieira de Leiria, Porto Santo e pelo parque de campismo de Tavira. Mateus é um dos polícias que, todos os anos, procura os hotéis da PSP para passar uma semana. "Conheço todos e não dispenso uma semana nestes espaços. Primeiro vou para o Algarve, onde alugo uma casa, mas depois venho para aqui descansar. Onde é que, como aqui, se pode deixar os miúdos andar à vontade, disse.

 

Preços baixos... e muita tranquilidade

Outras centenas de polícias não tiveram este ano a mesma sorte, ficando como suplentes a aguardar desistências para poder usufruir de uma estadia onde, afirmam, a relação qualidade/preço é boa. Por pouco mais de cinco euros por dia os beneficiários dos serviços sociais da PSP podem, por exemplo, passar 15 dias de férias no hotel do Baleal, um dos espaços que tem sido alvo de reformas.

 

Piscina, mini-golf, ginásio, espaço web, campo de futebol e parque infantil, são alguns dos equipamentos disponíveis. Modernizar os hotéis adequando-os aos tempos de hoje é um dos objectivos da direcção dos SS da PSP, em funções desde 2007.

 

Se o preço baixo é uma das razões de tanta procura, os factores segurança e tranquilidade foram igualmente apontados por alguns dos polícias contactados pela agência Lusa, no Baleal.

 

Pela profissão que escolheram, os medos são legítimos. A família é o elo mais fraco para quem trabalha no combate ao crime e é por ela que temem... não tanto por eles, dizem. Rogério Costa, do Corpo de Intervenção da PSP de Lisboa, não hesita em dizê-lo: não é por mim, mas sim por eles (mulher e filhos) que me sinto mais seguro.

 

A especificidade do seu trabalho, explica em declarações à Lusa, fá-lo dizer que não existe sítio mais seguro do que um hotel onde todos são polícias. Para mim, o factor segurança é essencial. Tanto ou mais que o preço baixo. Sei que aqui os meus filhos estão protegidos", insistiu.

 

MárioCaldeira/Lusa                                Ginásio, piscina e mini-golf são alguns   dos equipamentos disponíveis

Os polícias têm orgulho neste património que também é seu e que é gerador de auto-estima, de sentimentos de identificação. Esta é a explicação dada pelo intendente Matos Torres, secretário-geral dos Serviços Sociais, defensor da continuação destes serviços hoteleiros. O principal factor de escolha é na verdade o sentimento de pertença.

 

Agência Lusa (reportagem de Gabriela Chagas)

 

 

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